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Nos Fragmentos do HD #17: a morte do zagueiro Serginho

#786

Depois de algum tempo, estamos de volta com mais Nos Fragmentos do HD, para lembrar da trágica morte do zagueiro do São Caetano Serginho. Vamos falar sobre o que envolve o triste acontecimento.

A carreira interrompida abruptamente

Paulo Sérgio Oliveira da Silva (Serginho) nasceu em 19/10/1974 em Vitória/ES. Iniciou sua carreira futebolística na cidade de Coronel Fabriciano/MG pelo Social FC, em 1995. O zagueiro se destacou e chegou ao São Caetano em 1999. No clube, fez 134 partidas e marcou 17 gols.

O zagueiro Serginho, em uma das viagens do São Caetano.

Serginho participou da mais frutífera fase do São Caetano, onde a equipe do ABC Paulista conseguiu vice-campeonatos do Campeonato Brasileiro (2000 e 2001) e da Copa Libertadores (2002). O ano de 2004 se mostrava especial, por conta da conquista do Campeonato Paulista A1, além da excelente campanha no Brasileiro, com boas oportunidades de título.

Tudo estava dando muito certo para Serginho e São Caetano, porém tudo iria mudar. A data 27/04/2004, fatídica, pôs um fim na vida do zagueiro. A partida contra o São Paulo, realizada no Estádio do Morumbi, estava no segundo tempo (15 minutos) em 0 x 0, quando o jogador caiu no gramado subitamente, vítima de uma parada cardiorrespiratória. O atendimento e a preocupação com o estado de saúde dele fizeram a partida ser paralisada. O hospital confirmou a morte do Serginho às 22h45, causando comoção geral nos estádios do Brasil.


Os porquês da morte e as consequências para o São Caetano

Dúvidas foram lançadas ao ar sobre o porquê da morte de Serginho, sobre a responsabilidade do jogador, do clube e do Incor, responsável pelos exames de pré-temporada do São Caetano na época.

Segundo os exames, realizados no Incor, Serginho possuía miocardiopatia hipertrófica assimétrica, como consta no diagnóstico assinado pelo doutor Edimar Alcides Bocchi. Segundo os jogadores do São Caetano, o jogador não tinha conhecimento da gravidade da doença. Para Itamar Rosa (massagista do clube na e amigo pessoal), Serginho confidenciou a necessidade de continuar a carreira como jogador de futebol para sustentar o filho e nenhuma alteração cardíaca o faria parar de jogar.

O momento em que Serginho cai no gramado, após parada cardíaca.
Foto: Gazeta Press.

O São Caetano afirmou, por meio de seu presidente à época – Nairo Ferreira de Souza, que realizava exames de pré-temporada desde 1999, acompanhado pelo doutor do clube Paulo Forte. Segundo ele, Serginho foi diagnosticado com uma arritmia, porém esta não impediria ou restringiria o jogador de praticar futebol. Bocchi, doutor responsável pelo diagnóstico, se contradisse e afirmou não ter fornecido nenhum relatório a ninguém por conta do sigilo médico, além de alegar que a causa da morte nada tinha a ver com o resultado dos exames.

No processo aberto para averiguar as responsabilidades do caso, pelo Ministério Público, o presidente do São Caetano (Souza) e o doutor do Incor (Bocchi) foram inocentados e a investigação arquivada, sem culpados. Apesar da absolvição da acusação de homicídio doloso, Bocchi foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD): a pena foi a proibição de acompanhar a delegação do clube por dois anos.

O cardiologista Edimar Alcides Bocchi.
Foto: FMUSP.

Helena Cunha, viúva do zagueiro, criticou o prontuário do Incor – assinado por Bocchi, onde não consta nenhuma assinatura do São Caetano e de Serginho. Ela achou absurda a afirmação constante no diagnóstico (“Se tiver sorte não terá nada”) e ameaçou processar o doutor responsável, porém não levou o processo adiante.

O São Caetano, que fazia uma ótima campanha no Campeonato Brasileiro, foi punido por conta do caso Serginho. Com boas possibilidades de ser campeão do torneio de 2004, sofreu uma pena, imposta pelo STJD: perda de 24 pontos (de 77 para 53, de 4º para 18º). Isso obrigou o clube a brigar e escapar do rebaixamento com apenas 3 pontos de vantagem em relação ao 19º, o último rebaixado.

Os jogadores do São Caetano e os 30 minutos mais difíceis

A partida, interrompida por conta da morte súbita de Serginho, foi retomada em 03/11/2004. A realização do jogo ocorreu a contragosto dos jogadores do São Caetano. O enterro do atleta ocorreu em 30/10/2004, na cidade de Coronel Fabriciano/MG, onde o jogador iniciou sua carreira.

O jogo continuou à partir dos 15 minutos do 2º tempo. O placar do jogo foi 4 x 2 para o São Paulo, com gols de Danilo (2), Grafite e Rodrigo, além de dois gols de pênalti do São Caetano, convertidos por Marcinho e Anderson Lima, respectivamente.

A dificuldade e a comoção com o ocorrido tomaram conta dos jogadores do São Caetano. Péricles Chamusca, técnico do time em 2004, fez mudanças estratégicas para fazer que seus comandados esquecessem do caso durante o jogo. Mas, segundo ele, a homenagem do São Paulo a Serginho fez muitos deles desabarem em campo.

Fabrício Carvalho, atacante do São Caetano à época, afirmou ter sido uma falta de respeito continuar a partida e que os 3 pontos fossem dados ao São Paulo. Fabrício também teve problemas cardíacos e, por conta da morte de Serginho, teve de se afastar dos gramados até 2007, quando foi contratado pelo Goiás.

Fabrício Carvalho aos prantos após Serginho sofrer a parada cardíaca mortal.
Foto: Agliberto Lima / AFP / Getty Images.

O atacante Borges afirmou que muitos jogadores sequer paravam de chorar em campo. Ainda segundo ele, Chamusca perguntou a Paulo Miranda sobre a situação do elenco em campo, e o comandado respondeu que oitos dos onze jogadores estavam chorando, sem as mínimas condições de prosseguirem com a partida.

O sonho do título do Campeonato Brasileiro, interrompido pela perda de 24 pontos na tabela, seria uma forma de homenagear Serginho. Segundo o zagueiro Dininho, os atletas preferiram cumprir a determinação de continuar a partida e que os pontos fosse dados ao São Paulo – como havia afirmado Fabrício Carvalho -, para não prejudicar ainda mais o São Caetano. O título nacional mais importante do Brasil teria sido conquistado se a súbita morte não tivesse ocorrido, completou.

Comentários finais

O caso Serginho chocou o mundo do esporte, anestesiado com mortes semelhantes ocorridas meses antes do acontecimento trágico. Por negligência do zagueiro, do clube ou do hospital, uma carreira foi interrompida de forma abrupta. O caso mostra a necessidade dos exames de pré-temporada para a identificação de problemas em jogadores e, mais que isso, a necessidade de se fazer o tratamento adequado e até mesmo de interromper completamente a carreira futebolística, mesmo sendo uma dolorosa decisão.

Termina por aqui mais um NFDHD. Se gostou deste post, compartilhe-o com os amigos nas redes sociais e comente sobre este caso, se possível. Para acompanhar os posts desta coluna, basta clicar em um destes abaixo ou procure por mais no NNL.

Estaremos de volta com mais desfragmentações como esta em algum sábado oportuno. Nos vemos.

Via
Por: Not Now Lucas

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notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.