Mais um a meu favor #232: benjamins, garrafa d’água e salvaguarda
RPNV 2016 #10: quem foi ou não eleito?
AMQCM #54: Hardwired… To Self Destruct (2016), por Metallica | Álbuns
NNL Indica #3: dicas para acompanhar tudo sobre Chespirito e Dragon Ball Super no Brasil
Eventos massa™ #2: Brasil Game Show 2016 | NNL em eventos
O pior porre da minha vida | Casos Pessoais
Janela de dicas #25: como remover o Warsaw completamente do seu Windows | Macetes
Nos Fragmentos do HD #15: os 10 anos do AE KASINÃO
Avulsos #4: Tanglewood para Sega Genesis / Mega Drive | NNL Games
Crunchyroll: saiba como ter acesso Premium+ por 48 horas

Nos Fragmentos do HD #16: a ascensão e o declínio da Rede OM Brasil

#730

Seja muito bem-vindo ao NFDHD. Depois de mais um bom tempo sem novidades, finalmente chegamos à edição #16 da coluna. Para este post, vamos falar da ascensão meteórica da emissora paranaense Rede OM (atualmente CNT) e seu declínio em um espaço de 1 ano. Vamos viajar no tempo.

O início: de TV Tropical a Rede Organizações Martinez

Em 15/03/1979, o empresário e político José Carlos Martinez fundou, através do canal 7 VHF de Londrina, a TV Tropical. Inicialmente, a nova emissora se afiliou a Rede Globo para transmitir a programação da emissora pelo norte e noroeste do Paraná, além de algumas cidades do sul de São Paulo. À partir de 01/12/1979, acaba se afiliando a Rede Bandeirantes.

Logo nos seus primeiro anos de vida, a TV Tropical conseguiu as maiores audiências da região de Londrina com o Jornal do Meio-Dia e com o policialesco Cadeia, apresentado pelo famoso e polêmico Luiz Carlos Alborghetti.

O polêmico Alborghetti.

Em busca de expandir-se como uma rede estadual, a TV Tropical adquiriu a TV Paraná em 1980, em negociação com o grupo Diários Associados, em crise pelo fim da TV Tupi. Com isso, a emissora se mudou para Curitiba e assumiu o nome Organizações Martinez (Rede OM) em 1982. A emissora de Martinez se destacou com a transmissão de debates políticos, tornando-se o grande orgulho de seu fundador.

O esporte também foi destaque na programação da Rede OM, graças a afiliação à Band. Pole Position, focado em automobilismo, e Telesporte. Em 1990, as emissoras da rede se afiliam à Rede Record, recém-adquirida pelo bispo Edir Macedo. Desta parceria curta – encerrada em 1992 -, teve destaque o já consagrado Cadeia, as transmissões de futebol do Campeonato Paranaense e o Programa do Ratinho, de Carlos Massa (Ratinho).

O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho.

Rede OM Brasil: a ascensão e o declínio

A ambição da Rede OM de se tornar uma rede de TV nacional fora do eixo Rio-São Paulo começava a tomar forma. Em 20/11/1991, foi firmada uma parceria com a TV Gazeta de São Paulo, para o fornecimento mútuo de programação. A primeira transmissão foi feita em 15/02/1992. Surpreendeu a fazer aquisições como a TV Corcovado (Rio de Janeiro) junto ao SBT, além da compra de um pacote com mais de 100 filmes e dos direitos de transmissão da Copa Libertadores de 1992. Assim, nasceu a Rede OM Brasil em março daquele ano.

A ousadia fez com que Galvão Bueno, grande nome da Rede Globo, fosse trabalhar na Rede OM Brasil, acumulando a função de narrador, apresentador e diretor de esportes. Estreou em 01/04/1992, na transmissão de São Paulo 4 x 0 Criciúma, pela Libertadores. Naquele jogo, o repórter Raul Quadros entrevistou o técnico do tricolor paulista Telê Santana, que desejou boa sorte ao narrador e amigo em sua nova empreitada.

O narrador histórico da Rede Globo resolveu ir para a Rede OM Brasil em 1992, em um projeto ousado.

A transmissão do torneio sul-americano foi o grande trunfo da Rede OM Brasil. A transmissão da final da Libertadores entre São Paulo e Newell’s Old Boys conseguiu excelente audiência, principalmente com a veiculação do 2º jogo no Morumbi, com mais de 105 mil espectadores. A conquista do primeiro título do tricolor paulista, decidida nos pênaltis com a defesa do goleiro Zetti, fez a Rede OM / Gazeta alcançar a incrível marca de 34 pontos de média. Galvão, acostumado com grandes transmissões, não segurou as lágrimas ao ver a comemoração do inédito título.

A conquista do São Paulo fez com que a Libertadores tivesse seu interesse reacendido, não só pelos clubes brasileiros, como também pelas emissoras de TV. A Globo adquiriu os direitos de transmissão do torneio à partir de 1993. “No ano seguinte a Globo adquiriu os direitos. Acho que as transmissões de 92 ressuscitaram o interesse da Libertadores por parte da TV”, afirmou Roberto Avallone, comentarista e apresentador da Gazeta à época.

A subida da Rede OM seria freada por polêmicas. Uma delas foi a exibição do polêmico filme Calígula, com teor pornográfico. Mesmo com boa marca na audiência (16 pontos), o juiz José Antônio de Andrade Martins da 18ª Vara da Justiça Federal de São Paulo determinou o cancelamento da exibição do filme por meio de uma liminar. Isso obrigou a emissora retirar filme do ar.

A maior polêmica envolvendo Martinez e sua rede de TV foi a compra da TV Corcovado, envolvida no Caso PC Farias. Dois cheques fantasmas de Manoel Dantas Araújo foram usados para pagar uma dívida do SBT com a Caixa. E esta foi transferida para a Rede OM Brasil em troca da concessão da emissora adquirida. O empresário admitiu ter recebido um empréstimo de US$ 8,5 milhões para a aquisição. Em troca, cedeu ao tesoureiro da campanha do Collor à presidência da república em 1989 o Tribuna de Alagoas.

Com o declínio inevitável, demissões e dívidas trabalhistas – que culminou no retorno de Galvão Bueno à Rede Globo, por exemplo -, a Rede OM Brasil foi extinta, dando lugar a Central Nacional de Televisão (CNT).

Rede CNT: o pós Rede OM até os dias atuais

Em 23/05/1993, surgiu a Central Nacional de Televisão (CNT), com a ambição de beliscar o terceiro lugar no ranking de audiência. Logo de cara, nomes como Clodovil (Clodovil Em Noite de Gala) e João Kléber (João Kléber), no cerne do entretenimento, Leila Richers (CNT Jornal) e Alborghetti (Cadeia), no cerne do jornalismo, foram os grandes nomes da programação logo no primeiro ano. Outros nomes, como Marília Gabriela, Sérgio Mallandro, Ratinho, entre outros, tiveram passagens pela emissora.

A veia esportiva foi mantida pela emissora nos anos seguintes, com a transmissão da Fórmula Indy em 1994. Além disso, a CNT transmitiu o Panamericano de Mar Del Plata, em 1995, com exclusividade.

José Eduardo de Andrade Vieira, dono do banco Bamerindus, adquiriu 49% da CNT de Martinez em 1995. Com a falência da instituição bancária em 1996, o empresário reassumiu a parte vendida a José Eduardo, porém atrasando os salários dos funcionários. No mesmo ano, a Gazeta se tornou CNT Gazeta.

Na linha de shows, a CNT conseguiu contrato contrato de exclusividade com a Televisa 1997, o que garantiu a transmissão de novelas produzida pelo grupo midiático mexicano e de programas de humor como Chespirito.

A parceira entre CNT e Gazeta, que quase ocasionou a venda conjunta das emissoras para se tornarem uma rede de TV nacional com sede em São Paulo em 1999, encerrou-se em 2000. A emissora paranaense voltaria a ser veiculada em São Paulo no canal UHF 26 em 2001.

Em 2003, a morte precoce de Martinez marcou a CNT. O empresário estava a bordo de seu monomotor e fazia o itinerário Curitiba – Navegantes (SC), quando a aeronave caiu nas proximidades da cidade paranaense de Garatuba. Após a transmissão do velório de seu fundador, a emissora foi assumida por Flavio Martinez, então Vice-Presidente de Operações.

Em 2007, a parceria entre a CNT e Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) – de Nelson Tanure – fez surgir a TV Jornal do Brasil (TV JB) no Rio de Janeiro. Esta durou apenas 5 meses (de abril a setembro), pois o aluguel estava com três meses em atrasos – calculado em R$ 15 milhões. Nenhuma negociação para o pagamento da dívida avança e a recém-surgida emissora é extinta.

À partir de meados de 2013, a CNT começou a arrendar sua programação para a Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, fazendo surgir o boato da venda da emissora ao líder da igreja por R$ 500 milhões, negado pela Família Martinez. Em 2014, a programação própria passou a se resumir ao período de 22h às 0h, pois as outras 22 horas foram reservadas a transmissão do conteúdo da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo.

Com 92% da programação arrendada para a IURD, foi aberta uma investigação pelo Ministério Público e também procedimentos administrativos contra a igreja e a CNT, pois a lei vigente permite o arrendamento de até 25% da programação, tornando a exibição deste conteúdo ilegal. A ação não deu resultado – até o momento – e a igreja de Edir Macedo continua monopolizando a programação do canal.

Atual Logo da CNT.

Comentários finais

José Carlos Martinez, quando fundou sua própria emissora de TV em 1979 – sob o nome TV Tropical – tinha a ambição de transformá-la em uma rede de TV de alcance estadual. Já sob o nome Rede OM, este desejo tornou-se realidade. Depois da consolidação, a emissora ganhou o Brasil em 1992, com uma ascensão meteórica e surpreende. Mas, com a falta de preparo e a polêmica com o caso PC Farias – que culminou no impeachment de Collor -, o sonho começou a ruir.

Com pretensões um pouco mais modestas, a CNT fortaleceu a parceria com a Gazeta. Mas os erros seguidos e cometidos à insistência – como o fiasco da TV JB -, fizeram a emissora ser inconstante. Esta inconstância culminou no arrendamento de quase toda a sua programação à IURD, algo comum com muitas emissoras de pequeno e médio porte espalhadas pelo Brasil.

E este foi o mais um Nos Fragmentos do HD. Se gostou deste conteúdo, mostre este post para seus amigos e comente, se possível. Para os últimos posts da coluna, basta clicar em um dos disponíveis abaixo, ou procurar pelo NNL. Voltaremos com mais viagens nos fragmentos da TV Brasileira em algum momento oportuno. Até lá.

Por: Not Now Lucas

The following two tabs change content below.

notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.