Nos Fragmentos do HD #8: Mayara Petruso, Eleições 2010 e preconceito a nordestinos

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Imagem 1 - Mayara Petruso

Olha quem está de volta! Nos Fragmentos do HD retorna depois de 2 meses e meio sem novidades. A uma semana de completarmos 5 anos do fim das Eleições 2010 (com Dilma eleita presidente em primeiro mandato), não poderíamos de deixar de relembrar o absurdo caso Mayara Petruso e o preconceito a nordestinos que, inexplicavelmente, ainda existe no Brasil. Vamos embarcar nesta pequena viagem pelo tempo.

O Fla-Flu da política e o preconceito a nordestinos

Ultimamente, vivemos uma polarização política semelhante a rivalidade no futebol. PT e PSDB canalizaram para si a pior parte, pois polarizam a grande maioria das disputas eleitorais no Brasil há décadas, sempre com o PMDB como ponto de equilíbrio.

Infelizmente, parte da população tem uma visão turva e discriminatória para com os habitantes do Norte e Nordeste do país. Pensam que eles, em sua maioria, são meras marionetes políticas e preguiçosos, por receberem Bolsa Família (benefício ínfimo) – e, teoricamente, serem intelectualmente inferiores à população sulista. Mal sabem estes a importância dos “cabras da peste” no crescimento do Brasil e da cidade grande tão amada.

Quem caiu nesta sórdida armadilha e mostrou ao mundo um preconceito escondido a sete chaves – porém destrancado pelas redes sociais – foi a estudante de Direito Mayara Petruso. Logo após a confirmação do terceiro mandato do PT à frente da presidência do Brasil (com Dilma Rousseff) frente ao concorrente José Serra (PSDB) em 31/10/2010, pelo 2º Turno daquelas eleições, a jovem de 21 anos transferiu toda a raiva sentida pelo resultado com ofensas a nordestinos com frases como “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!” e “Afunda Brasil. Dêem direito de voto pros nordestinos e afundem o país de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos pra ganhar o bolsa 171”.

A raiva da estudante via Facebook. As consequências eram evidentes.

A raiva da estudante via Facebook. As consequências eram evidentes.

A (negativa) repercussão do caso Mayara Petruso e suas consequências

Um caso deste em redes sociais é imperdoável. Logo após os infelizes comentários em suas contas no Twitter e Facebook, um movimento contrário aos absurdos ditos por Mayara se espalhou pelo microblog, com diversas palavras de repúdio e de defesa aos nordestinos. Termos relacionados fizeram parte dos Trending Topics durante todo o day after (01/11/2010).

O caso ganhou manchetes dos principais jornais, como do jornal The Telegraph (Reino Unido). A matéria referente citou o fato de Mayara poder ser condenada por racismo (dois a cinco anos de prisão) ou por incitação ao assassinato (três a seis meses de prisão ou multa).

A repercussão do caso na imprensa internacional.

A repercussão do caso na imprensa internacional.

Toda esta situação respingou para todos os lados:

  • O pai da estudante é dono de uma rede de supermercados em Bragança Paulista e se disse decepcionado e envergonhado pela atitude da filha.
  • Mayara teve que se esconder por conta das ameaças sofridas pelos comentários racistas. Deixou para trás o curso de Direito da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) – no 6º Semestre – e retornou para Bragança Paulista. Endereços e outros dados pessoais foram divulgados a fim de um possível acerto de contas.
  • Por conta do caso, Mayara ficou conhecida como a “Geyse da FMU”.
  • Um jovem de origem nordestina invadiu a sala onde Mayara estudava para agredi-la.

Em 2013, quando o caso já estava no ostracismo, a Justiça Federal de São Paulo condenou Mayara pelo racismo. 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão foi a pena inicial, convertida em trabalho comunitário e multa a ser paga. O arrependimento da estudante não a ajudou a se livrar do dolo.

A juíza do caso, que emitiu a sentença, afirmou: “O que se pode perceber é que a acusada não tinha previsão quanto à repercussão que sua mensagem poderia ter. Todavia, tal fato não exclui o dolo”. Para explicar a pena abaixo do esperado, a Justiça concluiu: “Foram situações extremamente difíceis e graves para uma jovem”, ou seja, Mayara já havia sofrido as consequências pelas suas ações.

Comentários finais

Mayara Petruso é um caso destacado de um sentimento de ódio escondido em muito de nós, brasileiros. Influenciada pela onda de um Fla-Flu político, ela cometeu um erro gravíssimo, aquém ao seu curso de formação, o Direito. Ela argumentou não saber da repercussão de seu momento de raiva e de não ter pensado na hora de escrever e publicar, porém sua ingenuidade – no mínimo – não a fez perceber que as redes sociais são extensão do “mundo real”, onde pensar bem antes de fazer alguma besteira é fundamental. Que sirva de lição.

Curtiram a desfragmentação de hoje? Desde já agradeço pela sua leitura e não deixe de conferir os outros post da coluna enquanto não sai a edição #9. Até mais.

Por: Not Now Lucas

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notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.