Nos Fragmentos do HD #5: Kassab, Cidade Limpa e vagabundo

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Imagem de destaque (vide visualização via página principal): TV Cultura.

Gilberto Kassab

Sabe aqueles dias ruins onde tudo te irrita? Sabe aquelas pessoas propensas a terem isso com certa facilidade? A produção do NNL (vulgo eu) deu uma vasculhada nos fragmentos do disco rígido onde o Gilberto Kassab mostrou todo o seu lado gentleman expulsando uma pessoa de um hospital da pior forma possível para alguém na posição de prefeito de São Paulo. Hora de botar o HD para funcionar.

Cidade Limpa e a fim da poluição publicitária

Antes de falar sobre o patético episódio a ser abordado neste post, precisamos falar um pouco da Lei Cidade Limpa. A Lei 14.223 (26/09/2006) começou a valer em meados de 2007. Ela regulamenta o uso da publicidade na cidade de São Paulo. Seu efeito imediatista foi o fim dos outdoors e das placas e cavaletes soltos pela capital paulista.

Respeite a Lei Cidade Limpa, senão...

Respeite a Lei Cidade Limpa, senão…

A lei causou à época muita polêmica e discussão por conta de sua existência. No âmbito geral, para não de arcar com multas, teve-se que se adequar às normas sobre colocação de anúncios (de preços ou letreiro da loja, por exemplo).

Analisando friamente a lei 8 anos depois, podemos perceber uma melhora significativa na paisagem da capital paulista. Porém, ainda há desrespeito à esta, principalmente no período eleitoral, com cavaletes fora de horário e os “temidos” santinhos sujando as ruas em dia de votação.

Protesto na Sé e o “vagabundo” da AMA

Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo (2005-2012) pelo PFL/DEM e fundador do PSD – e possível refundador do PL – tomou gosto por entrar em confusão com manifestantes. Em 25/01/2007 (aniversário da cidade), estava participando da reinauguração da Praça da Sé. Ocorria ao mesmo tempo, um protesto da União do Movimento de Moradores, com cerca de 150 pessoas, contra a política “higienista” supostamente adotada por Kassab. Para responder os gritos de “fora Kassab”, ele gritou “São Paulo, São Paulo”. Após a confusão, negou ter enfrentado os manifestantes alegando: “Eu apenas me associei à grande maioria daqueles que estavam na praça para comemorar a bela entrega da praça”.

Com a premissa do episódio passado, outro ocorreu. Em 05/02/2007, na inauguração da Assistência Médica Ambulatorial (AMA) de Pirituba (Zona Oeste/Norte), o autônomo Kaiser Paiva Celestino da Silva – acompanhado do filho de 7 anos – começou a protestar contra a Lei Cidade Limpa. A reação foi imprevisível. Aos gritos de vagabundo, Kassab expulsou o manifestante de forma abrupta e violenta.

Kaiser, após toda a confusão, disse não estar lá para protestar e sim para fazer uma consulta com um dentista da AMA. Segundo ele, o encontro com o então prefeito foi ocasional. O autônomo completou dizendo que leis como a Cidade Limpa prejudicaram o seu trabalho como fabricante de placas.

Ouvido depois do ocorrido, Kassab negou qualquer tipo de agressão a Kaiser, mas praticamente a admitiu. “Todos sabem do espírito democrático dessa gestão. Mas estamos em um hospital. Vou expulsar quantas vezes precisar”, disse o ex-prefeito.

Kassab "equilibrado", como todo bom prefeito.

Kassab “equilibrado”, como todo bom prefeito.

Kaiser entrou com um pedido de indenização contra Kassab por conta do lamentável episódio. O advogado Cláudio Ganda de Souza recorreu ao Conselho Superior do Ministério Público contra a “injúria real” do ex-prefeito de São Paulo. O procurador-geral de Justiça Rodrigo César Rebello Pinho refutou os dois primeiros pedidos afirmando não ter havido nenhum tipo de abuso de autoridade. Basicamente, Pinho considerou a atitude de Kassab como uma reação de explosão emocional às injúrias supostamente inferidas pelo autônomo.

Comentários finais

O episódio do “vagabundo” manchou demais a imagem de Gilberto Kassab, mas não a ponto de não conseguir se reeleger como prefeito de São Paulo em 2008. O caso mostra o desequilíbrio emocional que uma autoridade do executivo não pode ter em hipótese nenhuma. O estranho foi a resposta da justiça ser complacente ao não punir o atual Ministro das Cidades da maneira que este merecia. O respeito aos munícipes (e potencias eleitores) deve ser primordial para quem comanda a maior cidade do país ou qualquer outra. O abuso de autoridade não deve ser tolerado por nenhum cidadão.

Chegamos ao fim de mais um desfragmentação agendada. Sinta-se à vontade para comentar e conferir mais posts de NFDHD. Até um próximo sábado.

Por: Not Now Lucas

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notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.