Nos Fragmentos do HD #2: PCC, falsa entrevista e Gugu

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Imagem de destaque (vide visualização via página principal): Trânsito no Seridó.

Gugu e o PCC

Estamos de volta com a coluna Nos Fragmentos do HD. E para a segunda edição, traremos uma das maiores polêmicas da história televisiva: a suposta entrevista com integrantes do PCC, exibida no Dia de Independência (07/09/2003). Para saber um pouco mais sobre está pérola, confira a continuação deste texto logo abaixo.

A “brilhante” e bombástica entrevista


Era para ser mais um inocente Domingo Legal, principalmente por ser o feriado do Grito do Ipiranga. Mas, a produção do programa comandado por Gugu no SBT teve a brilhante ideia de embarcar em um ônibus para entrevistar dois membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) – a.k.a. facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo. O repórter do Programa do Ratinho, Wagner Maffezoli, conversou com os supostos meliantes Alfa e Beta, onde estes faziam ameaças abertas a José Luiz Datena (do Brasil Urgente, na Rede Bandeirantes), Marcelo Rezende (do Repórter Cidadão, da RedeTV!), o comentarista de futebol e policial Oscar Roberto Godoy (do Cidade Alerta, da Rede Record) e ao vice-prefeito de São Paulo Hélio Bicudo. Assumiram também a tentativa de sequestro a Padre Marcelo Rossi, ocorrida uma semana antes.

Alfa e Beta, "integrantes" do PCC.

Alfa e Beta, “integrantes” do PCC.

A falsa entrevista resultou em comentários extremamente negativos, logo no dia seguinte. Levantou-se a hipótese dela ter sido forjada, além de se mostrar de muito mal gosto. Em 10/09/2003 a polícia abriu inquérito para averiguar sobre a veracidade da reportagem veiculada no Domingo Legal. O próprio PCC soltou um comunicado de imprensa onde nega qualquer tipo de ameaça e relação com os supostos integrantes entrevistados.

Em 15/09/2003, no programa da Hebe, Gugu insistiu em afirmar a veracidade da entrevista e, ao mesmo tempo, pediu desculpas pelas ameaças feitas na reportagem. Completou dizendo desconhecer o conteúdo das entrevista e confiou em Wagner Maffezoli para botar o material no ar. Temos um bom exemplo de controle de qualidade, afinal de contas.

A descoberta da farsa e as consequências

No dia 17/09/2003, o inquérito conclui o óbvio: a entrevista era falsa. Na verdade, o produtor Hamilton Tadeu dos Santos (Barney) – dono da arma usada no vídeo – ficou responsável por contratar Wagner Faustino da Silva (Alfa) e Antônio Rodrigues da Silva (Beta) por R$ 150 para cada. Tudo foi gravado em um ônibus – a única coisa verídica em toda história – dentro do estacionamento do SBT, segundo relatos de ex-funcionários. No dia 21, por determinação da juíza Leila Paiva, da 10ª vara federal, a pedido do Ministério Público, suspendeu a exibição do Domingo Legal, sendo substituído pelo Troféu Imprensa e o Programa do Ratinho.

Após todos os depoimentos, a polícia concluiu o inquérito e indiciou cinco pessoas: Alfa, Beta, Barney, Wagner Maffezoli e produtor Rogério Casagrande. Gugu ficou de fora do inquérito por conta de uma liminar conseguida pelo advogado Adriano Salles Vanni, e concedida pelo Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo).

Mesmo com toda a repercussão negativa, as punições foram brandas, resumindo-se basicamente a multas.

  • O SBT recebeu multa de R$ 1.792,53 do Ministérios da Comunicações, em 10/12/2003.
  • Apenas Godoy entrou com processo contra Gugu e o SBT. O atual apresentador da TV Gazeta terá de receber R$ 250.000 (antes era R$ 100.000) em indenização aos danos causados. O valor pode ser revisto, mas a decisão não, mesmo com a apelação dos condenados junto ao STJ, em fevereiro deste ano.
  • A credibilidade de Gugu e do Domingo Legal ficou bastante comprometida por conta da farsa. Algo difícil de recuperar.
A indignação de Alfa e Beta com a punição ao Gugu.

A indignação de Alfa e Beta com a punição ao Gugu.

Comentários finais

Não é novidade a existência do sentimento de buscar a audiência a todo custo. Mas chegar a tal ponto de criar algo tão idiota é criminoso. Aparentemente, a lição foi aprendida e parte da credibilidade do Gugu foi recuperada com entrevistas com Suzane von Richthofen e com o (ex) goleiro Bruno, criminosos condenados por crimes bárbaros.

Suzane e "limpeza de barra" de Gugu.

Suzane e “limpeza de barra” de Gugu.

Gostou da desfragmentação desta semana? Se sim, continue acompanhando as próximas edições da coluna. Sábado às 14h estará na sua agenda, certo?

Por: Not Now Lucas

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notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.