Adriano, sessões de fisioterapia e hipocrisia


Adriano, o mesmo jogador que faltou a 42 sessões de fisioterapia quando estava se recuperando de uma grave contusão sofrida à véspera de sua estreia, no meio deste ano, foi transformado em herói por ter feito um gol fundamental para a conquista do Campeonato Brasileiro de 2011 (jogo Corinthians 2 x 1 Atlético/MG). O mesmo jogador execrado por suas atitudes nada profissionais fora de campo. Toda esta euforia por um mísero gol depois de um ano e meio, feito ainda quando jogava pelo Flamengo.

Um jogador revelado pelo Flamengo e que ganhou fama pelo Parma e principalmente pela Inter de Milão (ambos clubes italianos), já foi um verdadeiro Imperador, pelo menos dentro de campo. Ainda está na conta dele um gol salvador na Copa América de 2004, no último minuto, contra a Argentina, que levou o jogo para os pênaltis, vencidos pela seleção brasileira. Participou também do fracassado quadrado mágico (com Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo) na Copa do Mundo de 2006. Em 2008, ele chegou ao São Paulo para se recuperar, já que não era mais o Imperador de antes. Recuperou-se, é verdade, mas sua estadia de 6 meses no time do Morumbi foi benéfica só a ele mesmo, pois para o elenco não foi. Lembro-me que a escalação jogava em função dele, e jogava mal. Logo após a saída dele, na trágica eliminação para o Fluminense, onde deixou sua marca na derrota por 3 x 1, com o antológico gol de Washington nos minutos finais, o time se acertou e foi tricampeão brasileiro (sexto título na história), com gol de Borges (que joga mais que ele, mas não tem mídia), contra o Goiás (1 x 0).

Em 2009, Adriano resolveu parar de jogar por um tempo, pois disse que estava desmotivado (com todo o dinheiro que ganhava e ainda ganha) e queria ficar com família e amigos no bairro Vila Cruzeiro (Rio de Janeiro/RJ). A Inter de Milão rescindiu “numa boa” o contrato dele. Dias depois, parece que ele mudou de ideia e acertou com o Flamengo, nada mais que uma jogada para voltar ao clube que o revelou. A mamata de ganhar o Campeonato Brasileiro de 2009 jogando o pouco que sabe garantiu o status de rei da Gávea da era atual. Em 2010, seus atos de indisciplina no clube fizeram com que ele ficasse mais fora que dentro de campo. Suas últimas participações no time de maior torcida no mundo foram eliminar o Corinthians e o seu último gol pelo clube (e o último por muito tempo), contra o Universidad Católica (Chile), ambos pela Libertadores do ano passado.

Adriano foi para a Roma. Seria a última chance de renascer de vez para o futebol, mas seu comportamento parece não ter melhorado muito. Lá pelo time da capital italiana, fez um gol apenas, em um jogo amistoso. Contando jogos oficiais (em torno de apenas 8), não marcou um gol sequer. Tudo isso por causa das escapadinhas, e de uma contusão no ombro. Em 2011, seu contrato com a Roma foi acertadamente rescindido, e ele acertou com o Corinthians, chegando a situação atual já citada.

O “gol do título”, segundo muitos, seria justamente comemorado se ele tivesse sido cuidadoso com sua grave contusão, mas ele descumpriu diversas determinações médicas e só começou a se dedicar agora, no fim da temporada. Os reflexos disto são não aguentar mais que 30 minutos em campo e visivelmente fora de forma (isso há muito tempo).

A mídia cria heróis e vilões em questão de minutos, e Adriano não escapa da regra. Assim, mesmo fazendo uma ótima participação pelo time de Parque São Jorge, mas mostrando falta de preparo para gastar todo o seu dinheiro, a mesma voltará a massacrá-lo como fazia antes do “gol do título”, mostrando a hipocrisia que existe no meio futebolístico.

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notnowlucas

São Paulo - SP
Formado em Informática e antenado no universo da tecnologia, gosto de escrever sobre tudo que me convier. Possuo um Nokia Lumia 730 e não gosto que caçoem de mim.